Chico Lelis

Coluna Histórias & Estórias – Por Chico Lelis

Lanchas elétricas á vista!

São 17 lanchas, que hoje usam motor diesel. Com potência entre, sendo cinco delas movidas a propulsor eletrônico,  variando entre 405 cv e 250 cv e que geram economia de 10% em relação aos normais. São usadas pela Praticagem de São Paulo, para guiar os navios nas entradas e saídas dos portos de Santos, o maior da América Latina e do de São Sebastião, no litoral norte do estado.

Para melhorar ainda mais o ganho de economia, a Praticagem está desenvolvendo com a empresa WEG, uma nova lancha com motor elétrico, que deverá estar pronta no primeiro semestre de 2025. O projeto prevê que ela tenha 90 minutos de autonomia para o mesmo tempo de recarga (plug in), que acontecerá na sede da Praticagem, onde hoje já usa energia solar, para captação de água.

Nelas, além  do piloto e marinheiro, seguem dois práticos e um deles, após a aventura de subir a bordo do navio (assista ao vídeo no https://www.youtube.com/shorts/S8-hPdlcVNk?feature=share e vai entender o uso do “aventura”), passa as instruções para o timoneiro para que tudo corra bem, quer seja na entrada ou saída do porto, que no de Santos tem um canal do 24,6 km de extensão, com 220 metros de largura e 15 metros de profundidade. Em São Sebastião existem duas medidas na largura dos 22,8 km de extensão, 550 m e 300 metros, a uma profundidade de 25 metros.

Como começou

A Praticagem começou no Brasil em 1808 quando Don João VI assinou a criação do Regimento de Práticos da Barra do Rio de Janeiro. Mas no mundo a profissão existe há mais de 4 mil anos, tendo um código internacional, o Hamurabi, regendo a conduta deste profissional. Em Santos, a Praticagem completou 90 anos de existência. O porto tem 132 anos.

Uma história interessante, ocorrida em 1985, conta sobre a importância do prático na segurança do porto, das cargas (98% do comércio interno e internacional no Brasil é transportado por navios) conta que o prático Nelcy Campos arriscou sua vida, em Pernambuco, quando guiou um  petroleiro em chamas, desde o Parque de Tancagem,  até o alto mar, evitando assim que fosse destruído o por de Recife e de boa tarde da cidade.

O navio maior que quatro Maracanãs

Foi no dia 1 º de fevereiro que a Praticagem recebeu o maior dos navios que até então haviam atracado no porto de Santos. Foi o Natasha XIII, da MSC, com seus 366 metros de comprimento e 48 de largura (equivalente a 4 quarteirões), transportando 14,4 mil TEU’S (contêiner padrão de 20 pés) com peso total de 141.649 toneladas. Para tanto, os estudos foram iniciados em 2016 visando capacidade de calado do canal, do terminal da Alemoa (bairro de Santos)  e outros detalhes, envolvendo Marinha do Brasil, USP, Praticagem e muitos outros participantes para a operação que interrompeu a travessia de balsa entre Santos e Guarujá, por cerca de 2 horas.

Na entrada (assista ao vídeo no https://www.youtube.com/watch?v=h1NhWXWY53o#:~:text=O%20navio%20porta%2Dcontainer%3A%20MSC,Santos%20(superando%20o%20CMA%20CGM) e na saída.

 

 

 

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Caio, o pai do Salão que volta ao Anhembi

 

Foi em 1960 que surgiu o primeiro Salão do Automóvel, com 11 expositores, que mostraram entre outros, o Aero Willys, o Renault Dauphine, DKW e o Saci, protótipo esportivo da VW. Nos anos seguintes (1961/1962), mais dois salões no Pavilhão de Exposições do Parque Ibirapuera. Daí em diante passou ser bienal, até que, em 1968 deixou o Ibirapuera e foi para o Anhembi.

Em 2016, com o Anhembi “caindo aos pedaços”, o Salão migrou para o São Paulo Expo, às margens da Rodovia dos Imigrantes (ligação entre São Paulo e o Litoral Sul do estado). Entre os confortos do novo local, ar condicionado, amplo estacionamento, com seu amplo preço. Uma observação: as marcas chinesas não conseguiram participar.

E agora, a razão desta homenagem ao Caio de Alcantara Machado: o Salão do Automóvel voltará ao Anhembi em abril do próximo ano, desta vez com a presença de todas as chinesas, que exportam seus veículos para cá, e todas as marcas com fábricas instaladas no Brasil, incluindo caminhões e máquinas agrícolas, segundo fontes do setor. Há quem diga que inclusive o setor náutico também fará parte deste salão que será abrigado no novo Anhembi, com capacidade muito maior que o anterior e agora denominado Distrito Anhembi. São 400 mil m² incluindo o Sambódromo, que continuará existindo e também será usado para o salão.

E por que o Caio recebe esta minha homenagem? Porque, além, de criar o salão. Caio também criou o Anhembi, que em abril receberá seu “filho pródigo” de volta, com maior força de atração que o modelo anterior e voltado para negócios.

– Será um evento de negócios, onde o visitante poderá comprar o modelo que desejar, “fazendo negócio” ali mesmo. Garante fonte do setor. Ou seja, vai valer até PIX no novo Salão do Automóvel.

Em razão deste novo perfil, não caberão neste salão, os faraônicos estandes que sempre marcaram presença em edições anteriores, com seus dois pisos, mas sim espaços para atendimento aos eventuais visitantes compradores.

Mas, é claro, o Salão não perderá sua principal característica estabelecida por Caio: exibir o melhor do setor automobilístico, com suas máquinas elétricas, híbridas, autônomas, movidas a hidrogênio e, até lá quem sabe com alguma surpreendente novidade.

Ousadia e persistência

Além de criar o Salão, Caio também construiu o Anhembi, durante anos a sede de muitas feiras que se realizavam em São Paulo, como a Fenit (a primeira de todas as feiras) e UD que eram visitadas por milhares de visitantes vindos de todas as partes do País.

Caio de Alcântara Machado Júnior destaca o que seu pai tinha de mais forte: ousadia e persistência. E conta o que aconteceu com o salão de 1986 quando, inconformadas com ações do governo federal, as fábricas instaladas no Brasil resolveram não participar naquele ano. Caio foi à Brasília e conseguiu que o ministro da Fazenda da época, Dilson Funaro, autorizasse a importação temporária, sem cobrança de impostos.

E Caio foi aos Estados Unidos e comprou 57 modelos, de várias marcas e fez um dos mais concorridos salões de todos os tempos. Eram todos carros que não existiam no Brasil e isso causou grande curiosidade ao público. Naquele salão a Rastro exibiu um carro-banheira, como conta João Basílio amigo de Caio, que esteve ao seu lado em várias ocasiões.

Uma outra ousadia de Caio: ele costumava sobrevoar São Paulo nos finais de semana para construir um local para promover suas feiras. E descobriu uma área logo ali, na Marginal Tietê, junto à ponte das Bandeiras.

Foi ao prefeito Prestes Maia que disse ser impossível, pois aquele terreno estava destinado à Santa Casa de São Paulo. Caio, segundo seu filho, saiu do gabinete desanimado. Mas voltou com o argumento de que seria melhor construir ali um local que mostrasse a grandiosidade da cidade.

Venceu e construiu o Anhembi, depois de uma viagem ao Canadá onde teve contato com construções que utilizavam alumínio espacial (Gyrotron), cinco vezes mais barato que o aço, produzido lá pela Alcan. O teto foi montado no solo e elevado por mastros de 25 metros se altura, colocados ao lado das colunas que sustentaram o teto. O projeto de construção teve a responsabilidade do engenheiro Jorge Wilheim.

A obra, conta Caio Júnior foi erguida em 2 anos (1968/70) e inaugurada com o Salão do Automóvel daquele ano.

Ele conta que muitas outras feiras foram organizadas pelo seu pai, como a Feira da Rússia, da Argentina, da Itália, do Japão da e muitas outras, de vários países, todas no Anhembi Alemanha.

Mas Caio não era apenas um criador de feiras. Foi ele, junto com o irmão José, que criou num das principais agências de propaganda deste Brasil: a Almap, que atende a Volkswagen até hoje, como AlmapBBDO.

João Carlos Basílio, reafirma a condição de ousadia e persistência do amigo Caio, com quem “deliciava-se” ficar pelo seu bom humor, gentileza e ousadia.

– Ele não conseguia – conta João – o alvará para inaugurar o Anhembi. Fazia muito tempo que o documento estava na mesa do então prefeito Jânio Quadros e a autorização não era dada. Cansado da demora, um dia o Caio cercou o carro do prefeito às 7 horas da manhã, explicou a ele o que acontecia e saiu deste encontro inusitado com a aprovação de Jânio.

Sua relação com a Imprensa é lembrada com saudades por todos os jornalistas que o conheceram. A feijoada no sábado do salão era uma delícia. Não pelo significado gourmet do prato, mas pela possibilidade de um contato mais próximo com o Caio e sua escudeira, Camilinha Cardos, assessora de Imprensa, figura única no setor, sedutora por suas gentilezas e profissionalismo.

Então, a volta do Salão do Automóvel para o Anhembi, será um prêmio para o empreendedor Caio. O novo palco do salão contará, entre outras coisas,  com auditórios, salas modulares, área de convivência, arena multiuso, passarela cultural, pavilhões de exposição com divisórias acústicas, permitindo até cinco exposições. O investimento foi de R$ 1,5 milhão.

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A moça que entende muito de graxa

Lá se vão alguns anos (não perguntei a idade dela hoje, por cavalheirismo. Ainda sou daquele tempo), mas quando ela criança, que havia apagado umas 4 ou 5 cinco velinhas, quando a moça se apaixonou pela mecânica.

Apesar do seu pai ser mecânico, e o avô ferramenteiro, os dois nunca a incentivaram para que fosse como eles.  Então cresceu acompanhando aquele movimento na oficina na garagem da sua casa. E a graxa foi tomando conta dos seus pensamentos. Sonhava em fazer Mecânica, mas acabou seguindo os conselhos do pai e fez Ciência da Computação. Trabalhou 15 anos na área de tecnologia, mas sempre com pensamento na “graxa”.

Até que um dia, uma amiga falou para sobre um curso grátis de Mecânica. E lá foi ela aprender o ofício que mais queria. A exigência única era um estágio de 6 meses em oficina.

Foi quando, depois do primeiro contato com a “graxa”, decidiu-se pela profissão de mecânica. Fez dois anos no SENAI do Ipiranga entre 2011 e 2013. Thais Roland, a moça a quem me refiro, nunca montou sua própria oficina. Foi enriquecendo seu currículo, fazendo um curso de restauração no Clube de Carros Antigos e foi trabalhar em uma oficina do ramo.

Naquela ocasião criou uma empresa para ensinar às mulheres a cuidar dos seus carros e, quando em uma oficina, não ser respeitada, com aquelas justificativas de o problema era na “rebimboca da parafuseta”.

Criou um workshop que dura 4 horas, com duas variações, uma delas exclusiva para mulheres e outra mista. Neste sábado próximo ((25/05) fará outro em Sorocaba, Como os demais, na sede do SESC local.

– As mulheres são mais atentas e não fazem piadas ou tentam “pegadinhas” como ocorre com alguns homens que, com o passar do tempo, param com suas brincadeiras.

O trabalho consiste em transmitir conhecimentos básicos de um carro, como sistema de combustão, freio, suspensão, arrefecimento, pneus e tudo mais o que envolve um veículo.
Ela leva ensinamentos também pelo Youtube, Instagram e um blog: http://youtube.com/@thaisroland-mec
http://instagram.com/thaisfr
http://www.cmn.blog.br

O amor, um Maverick 75

Quando fazia estágio em uma oficina no ABC, passou de ônibus defronte de uma oficina, avistou sua paixão: um Maverick branco com teto de vinil. Desceu no próximo ponto e foi lá ver quanto queriam no carro, muito maltratado.

– Estava muito ruim, mas me lembrava dos  carrinhos que ganhei uma “cegonha” de presente do meu pai e nele, entre outros carros, tinha um Maverick igualzinho.

Thais conta que o carro estava muito ruim: funilaria horrorosa, motor errado, já que o modelo, um V8 e o propulsor era um 4 cilindros em péssimo estado. Conseguiu comprá-lo e o levou para sua casa, ocupando toda a garagem com o desmonte que fez do modelo. Ela já tem o motor V8 para fazer a troca, mas ainda não foi possível continuar com o restauro.

Foi pensando nessa ação que comprou uma Vemaguet 67, para restaurar, vender e tornar sua paixão em condições de rodar. Mas, o coração agiu novamente e agora a família – ela casou-se com um mecânico, com quem tem dois filhos e que é professor de graduação e pós-graduação no SENAI do Ipiranga, onde se conheceram.

Mas, naquela época eu era casada e ele também. Mas, em 2017, se reencontraram em uma palestra que ela foi fazer do SENAI. E estão junto até hoje.

Filhos de peixes, peixinhos são!

A exemplo da mãe, desde pequeninos gostam de mexer nas ferramentas dos pais. É só ter uma chance que lá estão eles com uma ferramenta nas mãos ou querendo ajudar na troca de um pneu.

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Como foi bom ter estudado francês e latim

Nos meus tempos de ginásio (qual é o nome equivalente hoje?) tive dois professores dos quais me lembrei muito quando fiz duas viagens: uma para a Itália e outra para a França, nos anos 82 e 83, respectivamente. Um deles, Antonio Vietti, que ensinava Latim e a professora Chiquita (querida mestra, cujo nome completo eu nunca soube), que lecionava Francês, o idioma de De Gaulle, no qual me inspirei para criar um mal-estar em um hotel parisiense.

Convidado pela Fiat, quando trabalhava em O Globo (Sucursal de São Paulo), aproveitei a viagem para fazer um prolongamento após visita à fábrica e à pista de testes. De Turim, voei para Roma, a Cidade Aberta (filme de Roberton Rosselini, 1945 com Ana Magnani). Ao descer, uma grata surpresa. Havia “sciopero” (a pronúncia é chópero) e não tive que enfrentar fila na Imigração.

Tomei um táxi para o hotel, bem simples, como pedi na avenida Santa Croce in Gerusalemme, indicado pelo pessoal de Imprensa da Fiat.

Falante, o motorista começou perguntando se eu conhecia essa “bela macchina”, o modelo Fiat, claro. Falou da performance do carro, não lembro o modelo (só sei que era branco), da economia e do conforto, ainda bem porque foram quase duas horas dentro dele. Perguntou de onde eu vinha, o que ia fazer em Roma, blá, blá, blá blá.

– Conheço essa língua, pensei eu.

E, imediatamente, me veio à memória a figura do estimado professor Vietti, um perfeito “oriundi”, sempre elegante, com seus ternos de linho, montado em sua moto preta, uma Norton.

Pedi ao motorista que falasse mais devagar: “per favore, parli lentamente”.E começamos a conversar, com ele contando que havia uma manifestazionne de vecchios (que nunca pararam pois, como aqui, na Itália a aposentadoria é pouca) no caminho e iria atrasar a fazer a corrida mais cara.

Fazer o que, mas comecei a falar com ele, que me perguntou qual dialeto eu falava. Expliquei que estudei Latim na escola e logo entendeu. Afinal, Latim é a língua da qual se originam os idiomas falados aqui e pelo motorista italiano.Chegando ao hotel (em cujos corredores, à noite, se ouviam “ais e uis” em profusão, que me fez crer tratar-se de um “daqueles”) o motorista me disse, para minha alegria e surpresa, que me daria um desconto no valor da corrida, pelo meu “Latim” e em homenagem a Pelé, que ele citou várias vezes no caminho que durou quase uma hora.

Sem perguntar nada, cheguei!

Na manhã seguinte, tomei café em uma cafeteria distante duas quadras do hotel (os “ais e “uis” pararam lá pelas 23 horas e dormi tranquilo). Me surpreendi porque a casa não era aberta como nossos café, bares e restaurantes, mas fechadas com portas de vidro.Tomada o desjejum, um belo caffèlate, pane e burro. (Não preciso traduzir, certo?) resolvi ir ao Coliseu.

Quando ia chegando perto de uma pessoa, resolvi seguir meus instintos e nada perguntar. Primeira à direita, fui reto por três ou quatro quadras, entrei à esquerda, mais um trecho em frente e, ao entrar na primeira à esquerda, eis que surge, majestosamente desgastada pelo tempo, o belo Coliseu. Sentei na calçada e chorei de emoção.Fiz a visita, senti todas as vibrações que os cristãos deixaram para o tempo; ouvi os gritos da multidão condenando à morte os gladiadores vencidos. Emoção pura.

Depois andei à vontade, sem me preocupar com a volta. Na hora do almoço, entrei em um restaurante e pedi um peixe. O garçom, muito solicito me advertiu que o peixe bom só chegaria no dia seguinte: “oggi é gioverdi e il pesce buno arriverà solo domani”. Era quinta-feira e o peixe bem só viria no dia seguinte.E sugeriu uma pasta. Ótima!!!No dia seguinte, usando meu “largo conhecimento” das ruas romanas, decidi ir ao Vaticano, sem nada perguntar. Tal e qual no dia anterior.

E cheguei à maravilhosa praça São Pedro, com poucas pessoas circulando por ali. Visitei a Capela Sistina. É impossível não olhar apenas para a decoração do seu teto, com afrescos de Michelangelo, Rafael, Perugino e Sandro Botticelli. Algo que mais me encantou e emocionou foi visitar os túmulos dos Papas, principalmente quando cheguei até o de Pio XII, o primeiro do qual ouvir falar na minha vida.

Lembro dele e do frei José Mojica, ex ator de Hollywood, que me serviu a hóstia na missa celebrada no aterro do Flamengo, em 1955, quando eu lá tinha meus nove anos. (Só descobri isso quando vi a capa da revista Manchete e lá estava ele, servindo a hóstia para meus colegas do Colégio de Religiosas onde estudava no Rio de Janeiro, no bairro do Grajaú).  Fui no Google para ver se o hino que tinha na memória era mesmo o do Congresso. Não contive a emoção quando consegui acompanhar parte da letra.

No centro “vecchio” de Roma andei por Trastevere, o mais antigo bairro da cidade, com suas viela estreitas, ruas em paralelepípedos (muitas ruas em São Paulo eram assim e, carros V8 e V6, de tração traseira, quando acelerados com força, iam se perder no muro mais próximo) e muitas casas tinham suas paredes sustentadas por tapumes (pelo mesmo era assim quando passei por elas).Depois, peguei o meu primeiro modelo Abarth, um Fiat Ritmo, cuja história já contei aqui (https://autoentusiastas.com.br/2022/12/o-primeiro-abarth-a-gente-nunca-esquece/) e fomos para Veneza, para o Hotel Walter, que reservei pelo telefone, pois já “dominava” o meu Latim/Italiano.

Em Paris, lembrando da professora Chiquita

Ela era muito enérgica, dona Chiquita. O menor deslize e ela mandava esperar lá fora, debaixo da escada. Eu nunca fui castigado. Eu gostava e gosto do Francês (principalmente dos números: 40 é quatre-vingts: 90 é quatr-vingt-dix) apesar do problema que enfrentei, certa vez, no Hotel Mèridien, em Paris. (Abro um parêntese aqui para dizer que os melhores dias de hotel que passei na vida, foi no Mèridien, aquele de Salvador, no Rio Vermelho, dirigido por Fernando Chabert e gerenciado por Ernesto Sousa; e onde meu querido amigo, Paulinho Brandão), promovia a melhor feijoada do mundo, todo carnaval. E eu ia em todas!.

Mas em Paris, nada de cassoulet, a feijoada francesa.Bem, eu nem lembro qual foi a fábrica que me convidou para ir a Paris, sei que não foi nenhuma francesa. Sorry! Mas ela me hospedou em um dos   Mèridien da capital francesa. Bem, eu tinha que ir até a Cité Universitaire (Cidade Universitária) para encontrar amigos, no dia em que nada estava programado pelo meu anfitrião.Do apartamento tentei falar com o telefone da Citè, mas não conseguia linha.

Na terceira vez desci até a Recepção e fiz uma reclamação, usando o Francês que aprendi nas aulas da dona Chiquita.Desci duas vezes mais e nada de solução para o problema com o telefone do meu apartamento. Na quarta descida, cheguei calmamente e, o mesmo recepcionista, sorridente me perguntou o que eu desejava.

Dei um tapa no balcão que estremeceu o hotel e, num tom mais elevado que o meu normal:- Ce n’est pa un hotel sérieux! (*)Todos no saguão, assustados,  olhavam para mim e o funcionário da casa. Ele sabia o que eu queria e estava arrependido pelo seu atendimento falando “Je suis désolé, pardon monsieur. Je sui désolé”.Foi a maior correria. Imediatamente surgiu um funcionário com um telefone nas mãos, pedindo que eu o seguisse.

Como era um português, não precisei gastar o meu Francês com ele. Era apenas um problema com o cabo e, com o telefone trocado, falei com a Citè e fui encontrar os amigos para tomar um delicioso panaché (cerveja com soda-limonada)  às 20;30 horas, na ainda ensolarada Paris naquele verão.

Baseado em De Gaulle

(*) Essa frase, trocando “hotel” por “país”, é atribuída ao estadista francês, Charles De Gaulle, quando de uma de suas visitas ao Brasil. Ele nega, mas eu acho que foi resultado de uma das inaugurações da aciaria da Cosipa (foram duas ou três), quando ele se deparou com um pedido inusitado do fotógrafo de A Tribuna, José Dias Herrera.

Apesar de estar em Santos, ao lado de Cubatão, onde ficava a então Cosipa, hoje Usina Presidente Vargas, do grupo Arcelo Mittar, o “Zezinho”, como era conhecido entre nós, chegou atrasado, depois que De Gaulle já havia apertado o botão acionando os novos fornos da siderúrgica.

Mas “Zezinho” não se abalou. Aproximou-se da autoridade francesa e, apesar de ser muito mais baixo, pelo menos 20 cm que ele, esforçou-se e tocou no seu ombro e disse:

– Monsiuer, s’il vous plait.

Gentil, De Gaulle “reinaugurou” mais uma etapa da aciaria da então Cosipa (Companhia Siderúrgica Paulista).

O líder francês negou ser de sua autoria essa frase, mas, depois desta ação do querido “Zezinho” Dias Herrera, não seria difícil que De Gaulle tenha, pelo menos pensado, em algo assim. Certo?

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Andar em duas rodas é com ele, que rodou
mais de 25.000 km sobre elas

No ano que vem, o recorde da distância de 33 km, completados em duas rodas em um Chevrolet Chevette, pela rodovia dos Bandeirantes (entre Jundiaí e a Capital), vencidos em 30 minutos, vai completar 50 anos, sem ter sido batido até agora.

O piloto Carlos Cunha, autor da façanha que consta no livro de recordes do Guiness, está se preparando, aos 70 anos, para tentar bater este seu próprio recorde. Então ele vai aumentar seus “passeios” em duas rodas para mais de 26 mil km. Como eu andei com ele em duas rodas, alguma vezes, acho que posso me creditar 5 km desta prática que assusta um pouco, confesso.

Com sua fala, que pouco mudou desde aqueles tempos, Cunha conta que tem treinado semanalmente em pistas fechadas, que existem na região de Campinas e, quem sabe, conseguirei bater meu próprio recorde.

Falando em recordes, ele lembra outro que não foi batido, até hoje, tendo acontecido a bordo de um caminhão, pelo anel externo de Interlagos (autódromo José Carlos Pace). Foi em agosto de 1986, cobrindo a distância de 3,5 km. Este também está no Guiness.

Por ocasião do recorde da rodovia dos Bandeirantes, eu estava na Assessoria de Imprensa da GM e cobri o feito do Cunha, muito celebrado pelo pessoal de Marketing da fábrica, já que a única mudança feita no carro foi a colocação de pneus especiais, compactos, que suportaram o trajeto. Todo o resto do Chevette era original, incluindo suspensão e direção normal, sem ser hidráulica.

No dia seguinte ao escrever o texto e enviar para a Casa da Notícia, agência que o Nereu Leme (olha ele ai de novo), que saíra da Folha de são Paulo, pedindo que ao imprimi-lo, o fizesse inclinado, para distribuir à Imprensa nacional. Nereu estranhou, mas a ideia foi colocada em prática. E, modéstia à parte, deu ótimo retorno, havendo alguns órgãos de imprensa que publicaram como o receberam, inclinado.

Determinação

Ele saiu de casa aos 14 anos, determinado a ter sua própria vida e foi trabalhar em um circo, andando em pernas de pau. Depois do circo, veio o trabalho de manobrista e então, nunca mais deixou o volante.

Começou a “carreira sobre duas rodas”, em um Dodge Polara 1.800, ao lado de Oswaldo Steves, pela Kaiser Motors, em 1973.

Em 1975 ele sai da Kaiser Motors e, junto com Euclides Pinheiro, cria a equipe na Chevrolet, iniciando suas apresentações com um Opala, mas logo passando para o Chevette. Com seu show, Cunha percorreu o Brasil inteiro, realizando 3.000 shows, que somaram mais de 25.000 km (isso mesmo, mais de 25 mil km em duas rodas).

Carlos diz que nunca criou nada de improviso. Tudo, segundo ele, ela treinado para que não houvesse erros que pudessem, não apenas comprometer o espetáculo, mas, principalmente, a segurança da equipe e do público que comparecia em massa aos shows em várias parte do Brasil, inclusive em vias públicas, devidamente sinalizadas.

Os recordes mundiais

1º Record no Guiness Book (dezembro/1985)
Percurso em duas rodas com o Chevette
Data: dezembro de 1985
Local: Rodovia dos Bandeirantes, Jundiaí, São Paulo
Distância Percorrida: 33 km de distância
Tempo: 30 minutos
Velocidade Média: 60 km/h

2º Record no Guiness Book (dezembro/1985)
Recorde de salto com o carro Chevrolet Monza
Data: dezembro de 1985
Distância do Salto: 31 metros e 40 centímetros

3º Record no Guiness Book (agosto/1986)
Duas rodas com o Caminhão Chevrolet D11.000
Data: agosto de 1986
Local: Autódromo José Carlos Pace
Distância Percorrida: 3,5 km
Condições: Circuito no anel externo do autódromo.

4º Record no Guiness Book (agosto/1986)
Chevette em duas rodas
Velocidade em duas rodas: 137 km/h
Curiosidade: Esse Recorde foi alcançada um dia depois do Record em duas rodas do caminhão D11.000

5º Record no Guiness Book (12 de junho/1987)
Recuperando o Record do sueco. Kenneth Ericsson
Data: 12 de junho de 1987
Relatos também de: 218 Km e 200m de distância
Veículo utilizado: Chevette em duas rodas
Observação: O pneu começou a descascar no final do percurso.
62 voltas no anel externo de interlagos

6º Record no Guiness Book (abril/1989)
Recuperando o Record do sueco.
Data: abril de 1989
Lançamento do Kadett GS
Velocidade em Duas Rodas: 155 km/h
Curiosidade: Um repórter que gravava a cena acabou colidindo com o carro do piloto um dia antes do recorde, levando à substituição do veículo por outro Kadett, que era o mesmo modelo utilizado por Cunha.

Uma queda interrompe a carreira

Em 1993 sofre uma queda e bate a cabeça, após passar mal e é levado ao hospital, onde permanece por 15 dias, com fratura na base do crâneo, perdendo labirinto lado direito, perdeu audição e ficou apenas com um barulho (zumbido) que não teria cura. Os médicos já tinham avisado Cunha que não conseguiria se recuperar e estavam sem opções do que fazer.

Nesse momento Cunha sentiu que não voltaria mais. Porem com muita força de vontade, Cunha buscou na fé sua solução e fez um contrato com Deus. Se ele saísse do hospital e conseguisse voltar a fazer seus shows e ter uma vida normal, ele iria ser testemunho de um milagre em todos os lugares que fosse e iria relatar sobre o acontecido, que só voltou a andar por conta de Deus.

“E Deus cumpriu sua parte do contrato, contrariando todos os médicos” afirma Carlos que saiu andando do hospital e não de cadeira de rodas.

Recuperação

Após sair do Hospital, Cunha decidiu se recuperar de uma maneira diferente, foi para Ubatuba e começou a andar de moto aquática, esporte que praticava antes do acidente, forçando sua coordenação motora e resistência.

Após 60 dias, Cunha conseguiu ficar de pé e não só na moto aquática, “mas sim na vida”, diz ele. Após conseguir levantar, Cunha foi aos e os médicos mal acreditaram o que havia acontecido.

Após exames, Carlos Cunha voltou a treinar suas manobras radicais. Porem continuou sem sua audição no lado direito e com seu labirinto danificado

01/05/1994 – Volta de Carlos Cunha aos shows

Corridas

– Carlos Cunha foi campeão da Stock Car light 1998 Stock Car Light

Concessionária

Ainda no hospital, Cunha assinou o contrato da concessionária Chevrolet em Sumaré, iniciando novo trajeto na vida

Outro susto

No dia 28 de julho, de 2007, um infarto chegou na madrugada, confirmado às 15 horas e exigindo um cateterismo.

Mesmo após infarto, Cunha continuou seus shows mesmo com o “stent” no coração. E segue a vida, com o prêmio Medalha do Cavaleiro de São Paulo, da Academia Brasileira de Arte Cultura e História.

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Ele era o cara mais expedito (*) que conheci
em meus 55 anos de carreira

Ele foi “dedado” por Wilson Fittipaldi, quando, aos 17 anos, correu em Interlagos, com seu MG Tourer. Foi tão bem na prova que o “Barão” anunciou o fato pela rádio Jovem Pan, naquele tempo, Panamericana. O pai dele ouviu o programa e o deixou de castigo. Mas essa punição não tirou dele o espírito arrojado, ou melhor atrevido, de viver. Tanto que, em 1976, “roubou” um carro lançado no dia anterior para fazer fotos, da revista Auto Esporte; testou uma Caravan 1987, em um lançamento da linha 88, que não estava disponível para os jornalistas.

Voltou a correr em 1963, na mesma corrida de estreia do José Carlos Pace, o Moco. Correu de DKW, Simca e Uirapuru, e participou da equipe Willys, apesar do fato nunca ter sido divulgado pelo seu chefe, Antônio Greco.


Como gostava de correr, resolveu criar uma escola de pilotagem, que depois, quando ele faleceu, em 1988, foi passada para o filho, Gabriel, que também gostava, e  ainda gosta, de correr com carros e também motos da sua coleção.

Antes de falecer, em 1988, ele passara por várias redações, entre elas Quatro Rodas, Manchete e Fatos & Fotos, Auto Esporte. Motor 3 e Caminhoneiro, sua última participação na Imprensa.

Eu vi!!!!

Agora vou contar aqui uma história da qual eu fui testemunha e revelar, para quem ainda não conseguiu. identificar o personagem dessa coluna, o jornalista, piloto e instrutor, EXPEDITO MARAZZI.

Em seu campo de provas, a General Motors promovia o lançamento da nova suspensão da linha Opala 1988, incluindo a Caravan, em todas as suas versões.

O teste drive para a Imprensa seria realizada na Pista D1, com suas sinuosas curvas, com delicioso trecho chamado “Serrinha” com seus declives e aclives. Um desafio para quem gosta de pilotar, perigosamente, como o personagem gostava.

Ansioso, ele viu uma Caravan parada em um canto, com a chave no contato. Entrou nela, deu na partida e saiu cantando pneus. O pessoal responsável pelo programa, não percebeu o que acontecera, mas todo mundo ouviu os pneus da Caravan cantando, a cada curva na “Serrinha”, incluindo o então diretor de Engenharia, Carlos Buechler que ficou preocupado com o excesso de velocidade desenvolvido na pista e perguntava quem estaria dirigindo daquele modo.

Poucos minutos depois, o autor da façanha para a Caravan no ponto de chegada do teste. E, com a maior naturalidade, lança seu veredito sobre o carro, não sabendo que a Caravana ainda era 1987:

– Parabéns, essa nova suspensão da Caravan ficou ótima.

Ou sejam, Expedito Marazzi, o nosso personagem, conduzia tão bem, que nem percebeu que não nada havia mudado na Station Wagon.

Quanto ao carro “roubado”, foi o Fiat 147, o primeiro modelo da fábrica, lançado no Brasil em 1976. Ele saiu de Outo Preto (MG), e foi para São Paulo, em Interlagos, para as fotos de capa e da matéria da Auto Esporte. E levou com ele seu filho Gabriel Marazzi que, como disse, herdou do pai a mania de automóveis.

(*) EXPEDITO – reza o dicionário, significa, além de nome próprio é um adjetivo para quem desempenha tarefas ou resolve problemas com presteza e rapidez, ativo.
nome próprio é um adjetivo para quem desempenha tarefas ou resolve problemas com presteza e rapidez, ativo.

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O padrinho de um carro. O Tonga!

 

É bem provável que muitos de vocês lembram da música, “Na Tonga da Mironga do Kabuletê” https://www.youtube.com/watch?v=Os5Sep4N_us, sucesso da dupla Vinicius de Moraes e Toquinho (Antonio Perci Filho), nos anos 80. Mas, para quem acompanha o setor automobilístico, Tonga também é o nome de um carro, “fora de estrada”, que o design da General Motors brasileira desenvolveu, mas nunca foi produzido.

Ele foi apresentado no Brasil Motor Show, em 1995 (que era realizado em anos ímpares, enquanto o Salão do Automóvel era realizado nos anos pares. Será que ainda voltará?).

Como vocês, que não estiveram no Brasil Motor Show, o Tonga tinha diversos itens “off-road”, como uma suspensão mais alta que a do Corsa, lançado cerca de um ano antes, que lhe “cedeu” a plataforma, bem como o volante. Ele, de alguma forma, antecipou uma tendência presente no mercado de hoje, repleto de modelos aventureiros, com seu para-choque de impulsão e aquelas coberturas de plástico preto. Exatamente como nos tempos atuais.

As cores, pelo modelo das fotos, eram fora dos padrões da época. Seus bancos eram confortáveis, montados sobre estrutura tubular. Foi desenvolvida também uma “station wagon”. Nada foi revelado sobre a mecânica do Tonga, mas certamente seria a mesma do GSi 1.6 16v, o esportivo da família.

Os autores do Tonga foram o gerente do Design à época, Adalberto Bogsan Neto, Orlando Lopes, Nelson Barros e Morio Ikeda, que hoje é o diretor de um dos quatro centros de design da chinesa GWM, que recentemente aportou no Brasil com seus modelos Haval e Ora, em diversas versões.

De onde veio o nome Tonga?

É aí que eu entro na história e não estória. Como era de costume, eu visitava o Centro de Design da GM, que ficava a alguns quarteirões da fábrica, para saber das novidades e “cavar” alguma informação para escrever nossos releases.
Foi quando me mostraram um carro que parecia mais um “fora de estrada” do que um Corsa. Uma cor muito diferente dos pretos, cinzas e vermelhos que “povoavam” nossas ruas naqueles tempos.

E, na parede, um quadro com vários nomes escritos. Perguntei o que era aquela lista e o Adalberto me falou: são sugestões para o nome do carro.

– Tonga!

Todos riram afirmando que aquele nome não era sério.
Dias depois, em visita à GM brasileira, que gerava enormes lucros para a corporação, Robert Stempel (15/07/19337/05/2011), o CEO da GM mundial foi levado ao design e apresentado ao projeto do pessoal da casa.

– Tonga,of course. I was there I spent my honeymoon with my wife. A beautiful place! (Tonga, claro. Foi lá onde passei a lua de mel com minha esposa. Um lindo lugar!).

Pena que eu não estava lá naquele momento, para ver a cara dos meus queridos amigos do design.

Por que escolhi Tonga? Não sei bem, mas a primeira coisa que me veio à cabeça foi a música de Toquinho e Vinicius. E nada tem a ver com o arquipélago de Tonga, situado no Pacífico, com cerca de 100 mil habitantes, que eu nem sabia existir.
Na foto feita no Brasil Auto Show, estão, Adalberto Bogsan Neto, Orlando Lopes, Nelson Barros, Morio Ikeda e eu, o padrinho do Tonga.

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D. Pedro II perdeu dois bondes na história. Um deles elétrico

Por que falar em bonde quando este site é dedicado aos veículos que trafegam sobre pneus e não rodas de ferro? Porque eu adoro bonde (andei de bonde durante toda a minha infância e boa parte da juventude) e essa é uma boa história, que une o nosso último imperador (de 1840 a 1889), D. Pedro II (o Magnânimo), e os bondes, quando ainda eram puxados a burros.

Apresentado assim, o nome do imperador, D. Pedro II, não mostra como eram as tradições portuguesas e reais, o herdeiro do trono recebeu  vários nomes, a fim de homenagear seus avós, santos e anjos. Assim, seu nome completo ficou: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança Bourbon. Ufa!!! Imaginem em um evento onde o apresentador tem que falar os nomes de todas autoridades presentes e são todas descendentes da coroa real portuguesa.

Isso me faz lembrar do ex-presidente da GM, Fritz Henderson que, ao falar, simplesmente aboliu a lista dizendo simplesmente (com sotaque) –“como quem me antecedeu falou todos os nomes aqui presente, sigo em frente”. E fez o seu discurso.

O primeiro bonde, que faria o trajeto entre o Palácio Real, no Jardim Botânico até a Quinta da Boa Vista (6,4 km; 31 minutos de ônibus, 11 minutos de carro e 2h36m a pé, que deve ser mais ou menos o tempo gasto para um bonde com tração animal).

Este bonde foi ricamente (conforme exigência do edital) pintado por fora e por dentro, tendo como única identificação, pintada a Coroa Imperial. A plataforma tinha 20 pés e 6 polegadas, largura de 6 pés e 1 polegada; altura do chão até o teto (dentro do carro) 7 pés.

Por dentro, muito conforto, com poltronas, divãs e cadeiras com assento de palhinha, que possam ser levantadas. Toalete-lavatório, com depósito de água para beber, e um “mictório” fechado. Também tinha cabides para pendurar os chapéus, casacos, etc.

Pois bem, este bonde, fabricado nos Estados Unidos, foi embarcado no veleiro Etta & Josie” que naufragou na viagem, em razão de uma forte tempestade. Para evitar que os seus destroços causassem algum dano a outras embarcações, o comandante ordenou que ateassem fogo a embarcação.

O segundo, elétrico

O pedido de compra para este segundo bonde, junto a empresa John Stephenson & Co. Ltd. foi no sentido de que fosse elétrico, com preferência usando acumuladores da Julien Eletric Company, de origem belga, comandada pelo engenheiro Edmond Julien.

Este bonde, para o qual foi exigido que o acumulador ficasse sob uma proteção que o tornasse invisível para os seus ocupantes.

O veículo, veio em um veleiro que aportou no Rio de Janeiro, com todas as exigências atendidas. Mas ele nunca foi usado pela família real, pois só chegou depois de proclamada a República.

Tomei champanhe com o príncipe

Modéstia à parte, na verdade, o príncipe, Dom João de Orleans e Bragança, tataraneto de D. João II me serviu champanhe. Acompanhando um amigo, fui à casa dele, em Paraty, e ele, com uma gentileza real, nos serviu champanhe. Além disso, pude ver bela fotos clicadas por D. Pedro II, que foi um dos mais brilhantes dirigentes desta nação. Entre suas ações, a criação da Caixa Econômica Federal.

 

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Vai à feira livre? Esqueça o preço do tomate.
Olhe os veículos que carregam esse tomate
 

Quando vamos à feira livre, presentes em muitas cidades brasileiras, como Santos, São Paulo, Campinas e outras, estamos de olho nos preços do tomate que como dizia minha vó Eva, estão “pela hora da morte”. E não só o tomate, mas a banana, que faz tempo não se vende mais por duzia, mas por kg, e além dela, frutas em geral. Enfim, tudo fica mais caro de uma semana para outra na feira livre.

Caminhando em direção à feira, para comprar um pastel e tomar uma garapa (como era chamado o caldo de cana), comecei a observar as condições dos veículos – especialmente os caminhões – que transportam os tomates e as bananas.

Salvo raras exceções, todos seguem o padrão flagrado pelo meu celular. Caindo aos pedaços, com portas prestes a cair pelo caminho, pneus nem mais de carecas podem ser chamados. Aliás, não podem mais ser chamados de pneus, tal a condição em que a maioria deles se encontra.

E, se você vai para as feiras na “hora da xepa”, quando os preços do tomate caem, vai ver os caminhões tendo seus motores acionados. É nessa hora que a gente esquece pneus carecas, portas caindo e outros pecados. Isso porque o diesel queimado, com sua fumaça escura, e mais que poluente, invade as barracas e as nossas narinas.

Então as feiras perdem o encantamento com seus velhos jargões como “moça bonita não paga! Mas também não leva”!!!!

E essa situação permanece assim, há muito tempo! Duvida? Vá à feira perto da sua casa e constate a realidade dos transportadores de tomate.

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Coluna Histórias & Estórias – Sempre elegante e sorridente



Seu sorriso é permanente. E lá se vão 44 anos que ele acompanha Irene Hinckel da Silva, ao volante de ônibus urbanos da Viação Piracicabana, na Baixada Santista.


Ela já transportou milhares de passageiros, em todo tipo de ônibus – “até daqueles que tinham um enorme alavanca de câmbio e uma embreagem e direção muito duras”, diz ela, não em tom de queixa, mas nostálgico, pois como afirma, “a vida é muito boa para a gente ficar se queixando do que ela nos oferece”.

Mas, depois de conduzir por algum tempo um modelo híbrido, de tamanho convencional, hoje Irene “pilota”, das 6 às 13 horas (com uma hora de parada para o lanche, que é sempre um belo pastel de carne, em uma pastelaria no Centro da cidade)  um micro,  BYD  (que só foi fabricado, em Campinas, entre 2016 e 2017) 100% elétrico, com capacidade para transportar 22 passageiros sentados e 20 de pé, que pagam R$ 5,25 pela passagem.

Ela gostou da mudança. Afinal, como justifica, “não tem embreagem, não se troca marcha e o silêncio, junto com o conforto, fazem muito bem pra mim e pros passageiros”, lembrando que a maior diferença está no silêncio do motor, já que na empresa existem ônibus automáticos.

Irene gosta de dirigir, como todos os membros da família, todo mundo trabalhando no ramo de transporte.

Uma das irmãs, por exemplo, é motorista de carreta e viaja por todo o Brasil, dirigindo de salto alto. Antes de motorista, tentou fazer corte e costura.

“Não durou mais de 4 meses e fui tirar minha CNH para ser motorista de ônibus”.

E isso ela faz com prazer. Trata os passageiros como se fossem únicos. Se percebe que um deles tem dificuldade de locomoção, fica atenta ao retrovisor e não dá a partida antes da pessoa sentar.

E essa gentileza toda a retribuída pelos passageiros que a tratam pelo nome, perguntam como vão os filhos.

Muitos, passageiros de outras linhas, acenam para Irene, que sempre responde com um gentil sorriso. Maria Cícera da Conceição, por exemplo, que sempre pega o “20”, foi até o “ponto final” na praça Mauá, para cumprimentar a motorista, pelos seus 44 anos de profissão, sempre da mesma empresa.

Há quem passe por lá pedindo para fazer uma foto com ela e quem reclame que ela mudou de linha e a deixou com muita saudade.

Mas nem tudo foi fácil. Ela conta que no começo da carreira, há 40 anos atrás, muitos colegas a olhavam com ar de desconfiança mas que, com o tempo, foi se impondo pelo seu profissionalismo e gentileza.

Irene conta que são muitas as mulheres motoristas -não sei quantas, ressalta – na empresa. Muitas delas eram cobradoras e a empresa deu à elas a oportunidade de tirar a CNH e passarem a dirigir os ônibus.

 Elegância


O que também chama atenção em Irene é a sua elegância. Cabelos bem arrumados, óculos modernos, uniforme impecável, ela adora o que faz, mesmo tendo que acordar às 4 da manhã e sair de sua casa para chegar a tempo na garagem para pegar o seu pequeno ônibus e partir para mais um dia de trabalho.

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