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Produtivos, cansados e insatisfeitos: o retrato de uma geração

A sensação de estar sempre cansado deixou de ser pontual para se tornar estrutural. Relatórios recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) já classificam o burnout como um fenômeno ocupacional ligado ao estresse crônico no trabalho. No mesmo sentido, análises da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e de institutos globais de pesquisa em comportamento e trabalho indicam o avanço da sobrecarga mental e do esgotamento emocional, especialmente entre mulheres que acumulam múltiplas funções.

Na prática, isso se traduz em uma rotina em que a produtividade deixou de ser sinônimo de realização e passou a representar, muitas vezes, esgotamento. É nesse contexto que a escritora e mentora Juliana Santana começa a ganhar espaço no mercado editorial brasileiro: não por ensinar a fazer mais, mas por questionar o modelo que levou a esse cenário.

Autora dos livros “O Poder da Organização”, “Organização na Prática e “NÃO na Prática”, Juliana construiu sua trajetória a partir de uma virada pessoal. Entre a maternidade, desafios de saúde e uma transição de carreira inesperada, passou a investigar, na prática, novas formas de viver e trabalhar com mais equilíbrio, e chega a conclusões que vão na contramão do discurso dominante. “ Percebi duas coisas importantes: a dificuldade de criar uma rotina diferente, como se o modelo de segunda a sexta, das 8h às 18h, estivesse impregnado em nós e, ao mesmo tempo, a falta de referência do que poderia ser melhor do que o contexto atual. Falta repertório de uma rotina que seja flexível, produtiva e, sobretudo, saudável”, explica Juliana.

Sua abordagem parte de um ponto central: a desorganização não está na agenda, mas nas escolhas que evitamos fazer. “Existe uma tentativa constante de organizar o tempo, quando, na verdade, o que precisa ser organizado são os critérios de decisão”, afirma.

Com formação pela UFSC e atuação consolidada na educação, Juliana foi uma das pioneiras no ensino à distância no Brasil, ainda nos anos 2000. Mas foi fora do ambiente acadêmico que sua principal contribuição ganhou forma. A partir da própria experiência, que inclui rotina intensa, intercâmbios internacionais e perdas pessoais profundas, desenvolveu uma metodologia baseada em quatro pilares: visualizar, definir, trabalhar e compartilhar.

Nesse contexto, a proposta da autora se aproxima de uma mudança mais ampla na forma como especialistas vêm tratando produtividade: menos foco em gestão de tempo e mais atenção aos critérios que orientam decisões, como prioridades, limites e valores, fatores diretamente ligados à sobrecarga mental.

O crescimento de conteúdos sobre rotina, organização e autocuidado nas redes não acontece por acaso. Ele reflete uma tentativa coletiva de lidar com um problema ainda não resolvido: o excesso. Hoje, especialistas discutem não apenas gestão de tempo, mas também fadiga decisional, sobrecarga mental e a dificuldade de sustentar uma vida funcional diante de estímulos constantes.

É nesse ponto que o trabalho de Juliana encontra relevância. Sua escrita aborda temas como culpa, sobrecarga, luto e recomeços sem promessas irreais, e propõe uma mudança de perspectiva: organização não como controle, mas como ferramenta de liberdade.

Em 2026, a autora lança Vai Dar Tudo Certo!, pela Heloisa Belluzzo Editora, de São Paulo. Mais íntima, a obra transforma experiências pessoais em base para um método que se propõe a funcionar justamente quando a vida foge do controle. No livro, a ideia de que “vai dar tudo certo” deixa de ser um otimismo automático e passa a ser apresentada como construção.

Em um momento em que estar ocupado virou regra e não exceção, cresce o interesse por caminhos que não reforcem a lógica da exaustão. Mais do que ensinar a fazer mais, Juliana Santana entra em uma discussão mais profunda e cada vez mais urgente: o que realmente merece espaço na vida e o que já custa energia demais para continuar.

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Daniela Suniga lança livro que transforma cicatriz em caminho em cura

A educadora, escritora e mentora Daniela Suniga lança seu primeiro livro solo, “Audácia de Ser Feliz”, uma obra profunda, sensível e transformadora que nasce de sua própria travessia emocional e espiritual. Mais do que uma autobiografia, o livro é um convite ao reencontro com a essência e à coragem de escolher a felicidade.

Nascida com fissura palatina, Daniela enfrentou desde a infância os desafios da exclusão, da dor silenciosa e do sentimento de não pertencimento. Foram anos de cirurgias, sessões de fonoaudiologia e uma trajetória marcada pela busca por aceitação e expressão. “Enquanto outras crianças corriam para fora, eu mergulhava para dentro”, relembra.

Mas foi justamente dessa experiência que surgiu sua maior força: a escuta profunda, a empatia e a escrita como caminho de cura. “Eu não invento personagens. Eu acolho vivências. Escrevo para lembrar que é possível ser feliz com tudo o que somos, inclusive com o que doeu”, afirma.

“Audácia de Ser Feliz” surgiu como título ainda antes da escrita, durante uma meditação. O livro se desenrolou a partir de um chamado interno que Daniela já ouvia há anos — o desejo de transformar sua história em instrumento de cura para outras pessoas. “Se eu consegui atravessar o silêncio e escolher a felicidade, outros também podem”, diz. A obra passeia por temas como autoestima, pertencimento, espiritualidade prática, relações afetivas, superação de traumas e o resgate da própria voz. Com linguagem sensível e acessível, Daniela oferece não apenas reflexões, mas também presença, acolhimento e identificação.

O livro se conecta diretamente com outros projetos da autora, como o podcast “Diálogos com Dani”, criado em 2023 e atualmente na terceira temporada e mais de 84 entrevistados, e o Projeto Aurora, iniciativa criada em 2023 com mentoria voltada a pessoas em busca de reconexão com a própria essência. “A mentoria ajuda na construção de uma ‘bússola interior’, identificação de padrões limitantes e desenvolvimento de habilidades emocionais, unindo psicologia humanista, espiritualidade, educação emocional e terapias vibracionais em uma abordagem que integra corpo, mente e espírito”, explica.

Daniela se define como uma porta-voz do “direito de ser inteiro” e carrega essa bandeira através de sua história, sua escrita e sua missão de inspirar autenticidade e leveza, especialmente em mulheres que se silenciaram ao longo da vida.

“A dor não era um fim — era o início de uma jornada. Eu precisei atravessar o ‘não posso’ para descobrir a coragem de dizer ‘posso sim’, mesmo com tudo isso”.

Ao terminar a leitura, Daniela espera que o leitor sinta um suspiro — não de alívio, mas de reencontro. “Audácia de Ser Feliz” é para quem já se perguntou “será que um dia eu vou ser feliz de verdade?” e está pronto para transformar essa pergunta em escolha.

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Poetisa Roseana Murray é atacada por pitbulls; estado de saúde é grave

A escritora e poetisa Roseana Murray, de 73 anos, foi atacada nesta quinta-feira (5) por três cães da raça pitbull, quando caminhava na orla da praia de Saquarema, na Região dos Lagos. O estado de saúde dela é grave. Três pessoas prestaram depoimento e uma delas foi presa.

Preso

Vizinhos contaram que não é a primeira vez que os animais atacam moradores da região. Os cães ficam em um cômodo pequeno e insalubre. De acordo com o delegado André Luiz Salvador, em depoimento, dois homens disseram que não eram responsáveis pelos animais. Um terceiro, que também estava na casa onde ficam os animais, confessou ser o responsável dos pitbulls. Ele foi identificado como Davidson Ribeiro dos Santos e foi preso.

Estado de saúde

Os cães teriam pulado o muro da casa que fica perto de onde mora a escritora. No ataque, Roseana Murray teve uma das orelhas e o braço direito arrancados. Ela foi levada de helicóptero para o Hospital Estadual Alberto Torres, localizado em São Gonçalo, e passou por cirurgia. Os lábios e o braço esquerdo foram reconstituídos. “Seu estado de saúde é grave, porém estável”, diz nota do hospital.

Uso de focinheira

Desde 2005, uma lei estadual obriga o uso de coleira e focinheira em cães da raça pitbull, doberman e rottweiler. Os tutores são proibidos de levar esses animais para perto de escolas e praças com crianças, além de obrigados ao pagamento de multas e indenização a eventuais vítimas por danos morais e materiais.

O deputado estadual Carlos Minc (PSB), autor da legislação, cobrou responsabilização pelo ataque.

“É claro que a gente defende a posse responsável, contra maus tratos: a culpa não é do cão, é do dono! Então, o dono tem que ser responsabilizado. Nós vamos fazer ofícios e cobranças ao governo estadual e às prefeituras para que divulguem a lei e treinem a PM e as Guardas Municipais para exigirem a coleira, focinheira, certificados, e também para que punam os donos irresponsáveis. Lembrando que há pitbulls que não são violentos, mas outros, são. Por isso, a lei é preventiva”, disse Minc, nas redes sociais.

Biografia

A escritora e poetisa Roseana Murray é autora de livros de poesia e contos para crianças, jovens e adultos. Graduada em Língua e Literatura francesa pela Universidade de Nancy por meio da Aliança Francesa, ela recebeu ao longo de sua carreira os prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e, por quatro vezes, foi premiada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e pela Academia Brasileira de Letras (ABL) para livro infantil.

Roseana faz parte da lista de honra do Organismo Internacional I.B.B.Y, que reúne os melhores autores de literatura infanto-juvenil do mundo. Trabalha também com o Projeto de Leitura Café, Pão e Texto, recebendo alunos de escolas públicas em sua casa, em Saquarema, para um café da manhã literário. A escritora tem cerca de 100 livros publicados.(Agência Brasil)

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